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ESPM divulga os lançamentos mundiais de embalagens do primeiro trimestre de 2011


Números revelam queda de 4,89% no primeiro trimestre do ano no mundo, e de 11,96% no Brasil, em relação ao mesmo período de 2010.

 

O Núcleo de Estudos da Embalagem da ESPM acaba de disponibilizar os dados que indicam os lançamentos mundiais e nacionais realizados no primeiro trimestre de 2011. Ao final do mês de março, observou-se um desempenho abaixo do esperado em relação a vários segmentos da indústria de embalagens. A expectativa era grande, já que o mesmo período do ano anterior foi considerado como excelente. No entanto, os dados apontam que os lançamentos mundiais apresentaram queda de 4,89% em relação ao primeiro trimestre de 2010, com o Brasil a registrar uma declinação ainda pior, 11,96% menor do que no ano anterior.

Os números demonstram um enfraquecimento na dinâmica de marketing do mercado, que passou a lançar e atualizar suas embalagens num ritmo menor quando comparado a 2010.

Para a produção deste relatório, o Laboratório de Monitoramento Global de Embalagem da ESPM utiliza a ferramenta GNPD Global New ProductsDatabase, da MINTEL, que cobre os principais mercados do mundo, registrando o lançamento de embalagens; diagnosticando novos produtos, novos designs, extensão de linhas, novos tamanhos, formatos, sabores e fragrâncias. Além desta, o núcleo também faz uso da ferramenta Euromonitor.

Com o registro combinado destes dados, também é possível analisar vários aspectos dos produtos e das embalagens, como características e tendências de consumo, tipos mais adotados,  posicionamento dos fabricantes, os países e as marcas que mais lançaram, e outras informações que permitem cruzar dados inéditos e relevantes para o mercado.

No total, 66.615 embalagens foram lançadas em 2011, contra 66.885 em 2010 no mesmo período, indicando queda nos lançamentos.

A embalagem é um dos parâmetros utilizados para avaliar o nível de atividade econômica, portanto qualquer alteração importante na economia mundial pode refletir na produção dos lançamentos. A crise de 2008, por exemplo, criou uma depressão no gráfico de crescimento mundial representado por uma linha ascendente que permaneceu firme durante os anos anteriores.

Atualmente, os números refletem a realidade do Japão pós-tragédia, país que caiu da segunda para a oitava posição no trimestre em comparação a 2010.

Já o Canadá apresenta destaque por saltar da sétima posição em 2010, para a quarta neste ano. A China também se recuperou, e subiu da nona posição no ano anterior, para a sétima neste primeiro trimestre de 2011.

Vale a pena também, chamar atenção para a Índia, país que sequer fazia parte do ranking em 2009, mas que terminou 2010 ocupando a décima posição, e representando, agora, o sexto lugar da lista, devido à adoção do sistema de autosserviço. Iniciativa com o qual o Wal-Mart e outras redes locais transformaram o modelo de consumo ao lançar grande quantidade de itens para preencher as gôndolas recém-instaladas nos novos supermercados que se proliferam no país.

O Brasil, apesar da queda na quantidade de lançamentos comparada à 2010, subiu uma posição no ranking com a queda do Japão e da França, e agora ocupa a quinta posição entre os países que mais lançaram embalagens no mundo no primeiro trimestre.

Os cosméticos e produtos para o cuidado com o corpo dominaram o TOP 10 das categorias que tiveram maior número de lançamentos em 2011. Os cosméticos que hoje são seis entre as 10 categorias com maior número de lançamentos, há cinco anos eram apenas três entre as 10. Este dado indica a proeminência da mulher no grupo de consumidores que a indústria está mirando para suas estratégias.

Nas quatro primeiras categorias do ranking, três mantiveram suas posições nos últimos cinco anos, o que as permitem ser consideradas como as categorias TOP dos lançamentos mundiais de embalagens. São elas: produtos para os lábios, produtos para o rosto e biscoitos doces.

Produtos para o corpo, que ocupava a quarta posição em 2010, foi suplantado por esmaltes para as unhas - categoria que apresenta desempenho acima da média, mostrando que os cuidados com as mãos vêm ganhando maior atenção dos fabricantes de cosméticos.

Produtos para carne voltou para o gráfico depois de excluído do ranking nos dois últimos anos. Dessa maneira, os lançamentos indicam que a carne processada, preparada e embalada vem ganhando maior presença, devido ao aumento no consumo de alimentos prontos e sanduiches.

Os posicionamentos em destaque nas embalagens mais adotadas de 2011 revelam um crescimento consistente na preocupação com a saudabilidade, naturalidade e com a sustentabilidade.

Embalagens mais “amigáveis” ao meio ambiente entraram pela primeira vez no TOP 10 em 2010, mas já ocupam o quarto lugar entre os posicionamentos mais adotados.

A vida agitada também pautou os posicionamentos mais adotados. Produtos de preparo mais rápido e fácil, e produtos cuja ação dura mais tempoganhou destaque no ranking.

Já os itens Microondas, Low Sugar, Low Fat e Premium perderam lugar no ranking. As mudanças nos posicionamentos mais adotados nas embalagens revelam as mudanças na preferência dos consumidores percebidas pelas empresas que substituíram, por exemplo, a palavra  “natural” muito usada nas embalagens entre 2005 e 2008 (saiu do ranking em 2008), agora substituídas por “sem aditivos” ou “conservantes”, que ocupa agora a segunda posição entre os mais adotados.

Graças à preponderância dos cosméticos nos lançamentos, o posicionamento Botanic/Herbalé o líder do ranking desde 2005.

As marcas próprias, que lançam produtos em várias categorias diferentes com uma mesma chancela dominaram o ranking de lançamentos por marca, pois acabam somando um número muito grande de itens, sobretudo por serem redes mundiais com presença em muitos países.

Mais da metade das empresas que mais lançaram embalagens no 1º trimestre são redes de supermercados. O Carrefour foi a empresa que mais lançou novas embalagens no mundo, e as marcas próprias das redes somadas representou sozinha, 20% dos lançamentos mundiais de embalagem.

As marcas próprias vêm ganhando participação de forma consistente e saltaram de 13%, em 2005, para 20% de participação nos lançamentos em 2011.

O tipo de embalagem mais adotado nos lançamentos está diretamente relacionado às categorias que tiveram maior número de embalagens lançadas. Assim, embalagens que se adaptam aos requisitos destas categorias, acabam sendo mais incorporadas, uma vez que são as mais adequadas tecnicamente para a função.

Quando focamos nossas análises nos tipos de embalagens mais adotados, verificamos que as embalagens flexíveis ultrapassaram os frascos, e isto é uma novidade uma vez que os frascos lideravam o ranking desde o início de nossas análises em 2006. Isso reflete o conjunto de categorias com maior número de lançamentos, pois elas acabam impactando os demais quadros comparativos e influenciando praticamente todos os aspectos.

A presença no TOP 10 das categorias Bolos & Pastelaria, Produtos de Carne e Pão & Padaria ajuda a compreender esta mudança, pois estas três utilizam predominantemente embalagens flexíveis.

Produtos na forma líquida foram os mais lançados, sendo a grande maioria deles vendidos na temperatura ambiente. Apenas 10% dos lançamentos são produtos refrigerados e 5% são congelados.

Lembramos que este relatório representa a porcentagem de lançamentos que as adotam e não a participação de mercado destes tipos de embalagem.

Os lançamentos de embalagens no Brasil mostraram uma queda de 11,96% no primeiro trimestre de 2011 em relação aos lançamentos do mesmo período de 2010. Isso indica uma dinâmica de marketing da indústria nacional de bens de consumo  mais fraca, embora a expectativa fosse de um ano com melhor desempenho para o setor.

O mercado brasileiro é grande e muito dinâmico em termos de marketing, por isso a renovação das embalagens tem tido um ritmo acelerado nos últimos anos, mas que não se repetiu neste primeiro trimestre.

Entre as categorias com maior número de lançamentos, Produtos para o Corpomanteve a liderança enquanto Biscoitos Doces que ocupava a segunda posição até o ano passado, caiu para a oitava posição.

Repetindo o que acontece no mundo, os Cosméticos dominaram o ranking. No Brasil eles ocuparam oito posições entre as dez categorias que mais lançaram embalagens em 2011. Em 2009, eram seis posições.

Nos posicionamentos mais adotados nos lançamentos, o Brasil também seguiu o padrão internacional, mas aqui, produtos e embalagens com apelo ético-ambiental mantiveram o quinto lugar no ranking enquanto, contra uma posição mundial que subiu para o segundo lugar.

As marcas próprias aumentaram sua participação nos lançamentos respondendo por 19% do que foi lançado neste ano, no país.

A surpresa neste ranking foi a liderança alcançada pela empresa Jequiti, que superou os demais fabricantes de cosméticos em número de itens lançados na categoria que figura em oito, das dez que mais lançaram em 2011.

O tipo de embalagem mais adotado nos lançamentos no Brasil segue o padrão mundial com uma diferença: no país, as embalagens flexíveis ainda estão atrás da garrafa - a qual é a embalagem mais adotada nos lançamentos nacionais.

A primeira e mais importante conclusão obtida de acordo com o relatório de lançamentos 2011, é que o ano, tanto no Brasil como no mundo, ainda não foi impulsionado e que a dinâmica do mercado está abaixo do ano passado.

 

Observações:
Os cosméticos dominaram completamente o ranking dos lançamentos mostrando que a predominância da mulher no mercado de consumo é um fato comprovado pelos lançamentos, especialmente no Brasil onde sua participação é ainda maior; Não era assim em 2005, quando apenas três das dez categorias mais lançadas eram cosméticos.

A aparência, o cuidado com o corpo, a apresentação pessoal e a busca pela beleza física são temas que estão presentes de forma absoluta no cenário atual. Os países desenvolvidos sofreram mais o impacto da crise. Os EUA, por exemplo, e outros ligados a ele como México e Canadá foram duramente atingidos, mas se recuperaram em 2010. O Canadá deu um salto e foi um dos destaques deste primeiro trimestre; a China também foi atingida, mas apresenta recuperação, embora lenta. O Japão foi atingido na crise de 2008, mas recuperou-se mais rápido que os demais, dando um salto para o segundo lugar em 2009 (era o quinto em 2008). Agora, com a recente tragédia, o país despencou para a oitava posição no ranking.

O mercado da Índia vem passando por grandes transformações com a chegada dos supermercados. Este tipo de estabelecimento não existia na Índia alguns anos atrás, por isso ela o país se vê obrigado a lançar rapidamente muitos produtos para encher as gôndolas com produtos embalados.

As marcas próprias cresceram consistentemente nos últimos cinco anos, apresentando salto de 13% em 2005, para 20% de participação em 2011.

A vida moderna e suas exigências mostraram força, determinando o tipo de posicionamento mais adotado nos lançamentos, com destaque para a saudabilidade, a naturalidade e a preocupação ética-ambiental em contraponto com os produtos que trazem praticidade e performance necessárias à correria diária do consumidor.

Os tipos de embalagens mais adotados nos lançamentos apenas confirmam o crescimento das categorias que apresentaram um número maior de lançamentos. As embalagens flexíveis ultrapassaram as garrafas pela primeira vez, devido a mudança na composição do ranking das categorias, pois ganharam maior participação em grupos onde este tipo de embalagem predomina.

A bisnaga ganhou maior participação por causa dos cosméticos. Nos demais tipos de embalagens não houve mudanças significativas no ranking nos últimos cinco anos.

No Brasil, a embalagem Saco se consolidou na quarta posição devido às características do mercado local que muito utiliza este tipo de embalagem.

Entre os materiais de embalagens mais adotados, constatamos o crescimento dos plásticos em geral, pois devido à sua diversidade e adaptabilidade conseguiram participar em diversas categorias, sendo responsável por embalar, tanto líquidos, quanto produtos secos. O destaque do  período foi para o modelo PET de embalagem, o qual garantiu a segunda posição entre os materiais mais adotados nos lançamentos. Isoladamente o vidro, o cartão e a lata de aço mantiveram sua participação.

Anteriormente, este relatório previu que voltaríamos a crescer em 2010, e agora indica que o ano ainda pode recuperar-se nos demais trimestres, pois as condições de fatores de influências gerais, que permeavam 2010, não devem alterar-se significativamente em 2011.

*Relatório elaborado no Laboratório de Embalagem do Núcleo de Estudos da Embalagem ESPM
FONTE: site RevistaGraphprint